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Antonella Ciconha Demarco, 6 anos, fez sua estreia em concursos de beleza em 2024. A experiência também é nova para os pais, Jhonathan e Katia, que tentam fazer com que os eventos sejam leves para a menina.

Brilho ou pressão?

Ana Lara Chagas Oliveira 

Os efeitos emocionais dos concursos de beleza infantil na autoestima das crianças e o papel dos pais em equilibrar diversão e responsabilidade

              Muitos pais enxergam oportunidades para os filhos não apenas competirem, mas também desenvolverem confiança e disciplina em concursos de beleza. No entanto, o impacto pode ser sentido de diferentes maneiras, tanto nas crianças quanto nas famílias.

              Antonella Ciconha Demarco, 6 anos, participou de seu primeiro concurso de beleza neste ano, a convite de uma empresa do ramo de concursos infantis. A pequena artista, filha de Katia e Jhonathan Demarco, tem um canal no YouTube e protagonizou a produção E se Ele voltasse hoje, filme cristão com previsão de lançamento ainda este ano. “Nós sempre explicamos para ela que era uma brincadeira, era um concurso, mas outra criança poderia ganhar, tentamos deixar ela ciente disso. Mesmo assim, no dia ela ficou abalada, chorou, mas foi só no dia mesmo. Ano que vem tem mais, ela vai participar de outros concursos e, quem sabe, um dia ela ganhe”, explica Jhonathan.

              Katia faz o possível para explicar para a filha que ela tem controle sobre a participação nesses eventos, além de orientá-la a respeito do julgamento . “A gente sempre fala que o importante é ela, se ela está se sentindo bem, não importa a opinião dos outros. É claro que na prática é diferente, vamos ver com o passar do ano como isso vai afetá-la. Eu prefiro que ela grave filmes. Se tiver críticas, é sobre o filme, nos concursos é  muito pessoal”, completa a mãe de Antonella.

              Por outro lado, os organizadores desses eventos defendem a prática como uma forma de entretenimento saudável e de construção de autoestima. Segundo Daniela D’Avila, diretora de uma das empresas mais antigas no ramo de concursos de beleza no Brasil, o ambiente permite que as crianças aprendam a lidar com o sucesso e o fracasso de maneira saudável. 

“Nunca observei nada negativo, muito pelo contrário, nós temos muitos exemplos positivos. A autoestima, a firmeza para conversar, a gente faz tirar a timidez. A gente tenta tratar a criança como criança, o júri quer ver uma criança como criança, sem maquiagem exagerada, por exemplo”, comenta Daniela.

               O psicólogo Lucas Montanini explica que, tomando as medidas necessárias, a criança pode ter um ambiente confortável em concursos.  “É possível ter uma experiência que não seja tão negativa, mas isso vai envolver que os pais estejam presentes e observando. Se a criança entende que a participação no concurso é uma coisa lúdica, que ela está ali para se divertir, é muito melhor do que ser algo que ela entende que precisa cumprir. Quando existe o aproveitamento da experiência como um todo, não tem tanto peso ganhar ou não”.

                A respeito de fornecer ajuda de profissionais da saúde mental nos concursos, Daniela explica que não é uma prática que a empresa adota. “A gente não consegue dar um apoio psicológico porque demanda alguns dias, e muitas vezes o nosso contato com a criança é apenas no dia do concurso. O que a gente faz é instruir os pais, mas a educação precisa vir de casa, inclusive do lado emocional”, explica.

Montanini também alerta aos pais para observarem se as crianças apresentam sinais de desconfortos com os concursos ou com a própria imagem e procurarem ajuda. “Se está apresentando prejuízo, vamos correr atrás agora e evitar esse sofrimento. Porque se jogar para a vida adulta, fica muita coisa acumulada. Olhar para a saúde mental é muito importante”.

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