Bruna Carolina Guzzo e Heloisa Zolinger
O Peso da Compulsão: A Luta das vítimas contra o Consumo Desenfreado
Como a compulsão por compras e os transtornos mentais impactam a vida financeira e emocional, e a importância do apoio psicológico para enfrentar esse desafio.
A compulsão é caracterizada por uma ação por impulso, que não pode ser controlada. Essa condição resulta em culpa e frustração, gerando mal-estar e comprometendo a produtividade e concentração na vida profissional. Além disso, o transtorno causa dívidas excessivas e instabilidade financeira, impactando, muitas vezes, as relações familiares e amorosas. Consequências que abalaram a vida da servidora pública Marcina Abreu. “Eu percebi que eu estava com problema quando eu comecei a pedir muitos cartões. Eu não me lembro quantos eu tinha, porque eu nunca parei para contar, mas quando recebia o salário, passava na lojinha, comprava uma coisinha, até eu me comprometer financeiramente e não dar conta de pagar. Nesse momento, eu acho que caiu a ficha, mas ainda não tinha chegado a cura”, conta a servidora pública.
Além da compulsão diagnosticada, ela tem depressão há mais de treze anos e, durante o seu acompanhamento psiquiátrico, descobriu o Transtorno Bipolar. “Eu descobri que esse consumismo está ligado a essa bipolaridade, é uma válvula, uma compulsão por alguma coisa. E eu descobri que a minha era por comprar”. Ela conta que possui mais de três guarda-roupas cheios, com alguns produtos com etiquetas e outros nunca utilizados.
Marcina acredita que o acompanhamento psicológico é essencial. “Eu não vou dizer que eu tô curada, porque eu não estou. O que me falta é um acompanhamento psicológico. Eu gastei tanto com coisas que não tinha necessidade nenhuma e no que tinha, que era eu fazer um acompanhamento psicológico para eu para encontrar a raiz disso tudo para curar, eu não fiz. Então hoje eu não tenho condição financeira de investir em mim, que seria na parte da psicologia, mas eu sou uma compradora compulsiva eu sei, então não estou curada”, declara.
Da mesma forma como Marcina assumiu que tem um transtorno, a psicóloga Isabela Edling salienta que é necessário admitir a culpa. “A primeira dica é reconhecer esse problema, porque muitas vezes eu não reconheço aquilo, eu acho que é normal comprar e estar gastando o tempo inteiro com coisas, às vezes, sem necessidade. A segunda é buscar tratamentos da sua saúde mental, buscando tratar realmente esse problema com pessoas especializadas que estão ali prontas para auxiliar. E, por último, é muito essencial ter uma rede de apoio, que é onde a pessoa que está enfrentando isso precisa encontrar essa segurança, seja em amigos, seja no relacionamento amoroso, seja no relacionamento familiar, mas que tenha essa base, porque quando as coisas apertarem, o modo mais fácil de se dizer, ela possa ter alguém para correr e para auxiliar esse problema”, finaliza Isabela.
Confira as entrevistas completas no vídeo abaixo:


