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Chelsea Brito e
Alisson Batista

Sabores premiados

Queijo e cervejas artesanais de Guarapuava são vencedores em competições nacionais

             Na gastronomia, a ligação entre os sabores e o paladar é única para cada indivíduo, as opiniões se dividem, assim como as preferências. Contudo, há determinadas situações em que se prova que a qualidade de um alimento ou bebida está para além da opinião popular. Esse é o caso do queijo colonial da queijaria Bella Luz e da cerveja Metzgerbier, produtos artesanais locais de Guarapuava, Paraná que encontraram seu espaço em meio a grandes competições nacionais. 

Relacionados diretamente à herança familiar, os produtos são frutos de estudos pessoais associados a memórias e tradição, uma união que traz como efeito o destaque na qualidade das mercadorias. Para alguns, é no amargor de uma cerveja que está a essência da bebida, para outros, é na refrescância e suavidade.                     Quando o assunto são os alimentos, a discussão fica ainda mais acirrada. Afinal, a aparência, o aroma, o sabor e a apresentação estimulam os sentidos de cada pessoa de maneira única e a experiência gastronômica se torna individual.  

             Por isso, pode ser uma tarefa difícil categorizar os melhores produtos de determinado nicho. Em prol de sanar essa dificuldade, as premiações buscam avaliar criteriosamente o que se produz e quais os processos de fabricação. Obter o título de ouro após uma banca examinadora deste nível é certificar a excelência da mercadoria.

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Queijos coloniais em maturação. Foto: Alisson Batista

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Queijaria Bella Luz, Palmeirinha, distrito de Guarapuava. Foto: Alisson Batista

A queijaria

              O investimento e a confiança na produção familiar tornou a queijaria Bella Luz, que nasceu na comunidade de Gramados, no distrito da Palmeirinha, notável em âmbito nacional. Os empreendedores Jeferson de Oliveira e Veridiana da Gunha inauguraram o negócio em setembro de 2023. Mas antes disso, eles já trabalhavam com leite e produziam queijos, de maneira simples, para consumo próprio ou então para pequenas vendas. 

               As receitas são herança da Ana, mãe de Veridiana, que esteve junto ao casal desde o começo. “Sempre trabalhamos para produzir um leite de qualidade, o trabalho e esforço era para melhorarmos nossa produção, não alimentamos as vacas com silagem, por exemplo, para não dar acidez no leite”, comenta Ana.                 A inscrição na terceira edição do Mundial do Queijo do Brasil veio por incentivo de membros da Secretaria de Agricultura que, após provar o laticínio, instigou os produtores a inscreverem uma peça no concurso que posteriormente traria o título de ouro para eles. “Eu nunca visitei outra queijaria, nunca comi um queijo diferente do que nós produzimos. Então, a gente não tinha noção do que era queijo bom, mesmo assim, decidimos mandar e confiar”, afirma Veridiana. 

               O Mundial de Queijos do Brasil ocorreu de 11 a 14 de abril, em São Paulo, e teve a participação de 10 países e mais de 1500 produtos inscritos. Os queijos foram avaliados pela aparência exterior e interior, textura, aromas e sabores. O queijo colonial vencedor da categoria ouro passou pelo processo de fabricação e maturação por mais de 15 dias. No regulamento da competição, estão dispostas todas as categorias e subcategorias, tendo como divisões principais: leite de vaca, leite de cabra, leite de ovelha e leite de búfala.

               Também há as categorias que envolvem todos os tipos de leite e especialidades queijeiras e possíveis criações. Para participar, a queijaria Bella Luz forneceu a idoneidade sanitária do produto, comprovada por meio de certificado de qualidade emitido pelo município. “A medalha de ouro ajuda bastante, tanto para divulgar o nosso trabalho, como para mostrar que o nosso queijo é bom e de qualidade”, conclui Veridiana.

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Veridiana Gunha desenformando queijo frescal. Foto: Alisson Batista

A tradição cervejeira

                Em 2012, Ezequiel Metzker começou a fazer cerveja de panela como um hobby. Depois de 11 anos, a cerveja Sommer Weiss, de autoria própria, conquista pela segunda vez consecutiva a medalha de ouro no Festival brasileiro de Beer Cup 2023. 

Mas o começo da tradição do malte e lúpulo na vida dele já vem do século XIX. No ano de 1889, a bisavó de Ezequiel, proveniente do antigo Império Austro Húngaro, trouxe ao Brasil, dentre o que trouxe, estavam os rizomas de lúpulo, representados hoje no brasão da cervejaria Metzgerbier. 

                A empresa iniciou a produção própria em agosto de 2019 com capacidade de produção de 2 mil litros por mês. Já em 2024, a capacidade é de 25 mil litros, um crescimento bastante significativo. E, com os anos, também vieram as medalhas, que atualmente totalizam 18 entre ouro, prata e bronze. “A Sommer Weiss conseguiu um feito que até hoje poucas pessoas conseguiram, ela ganhou um The Best of Show com uma cerveja de trigo. Esse título é para a melhor cerveja do concurso, então o fato de uma cerveja de trigo ganhar diz muito sobre a qualidade dela”, conta Ezequiel. 

                As cervejas de trigo, de acordo com o cervejeiro, são mais simples e, por isso, não costumam vencer nessas competições diante de bebidas mais elaboradas, como as cervejas que são envelhecidas em carvalho francês ou as que possuem um bom blend, que significa mistura em inglês.

                A produção da Metzgerbier é feita inteiramente com produtos provenientes de Guarapuava, que é destaque na indústria do malte do Brasil.  “Tem uma questão de que se você está muito próximo da fonte, você tem um malte muito mais fresco e isso pode de alguma forma ajudar no produto. Acho que o destaque das cervejas artesanais de Guarapuava é uma junção da localidade e bom cervejeiro”,  acredita ele. 

                Além da notoriedade, as competições trazem um feedback das criações artesanais e, assim, é possível aprimorar o produto e também conhecer outras cervejas e possibilidades.

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​Ezequiel Metzker, dono da cervejaria mostra prêmio conquistado. Foto: Alisson Batista

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​Chopp é servido na torneira de onde fica armazenado. Foto: Alisson Batista

A importância local

               Para a cidade, o reconhecimento nacional dos produtos instiga os consumidores a optarem por mercadorias provenientes do comércio local, uma vez que a qualidade está comprovada. Além disso, também incentiva que pequenos e grandes produtores artesanais aprimorem o trabalho em busca de novos sabores, unindo a criatividade e a competência e, assim, gerando produtos vencedores. 

               A cerveja Metzgerbier pode ser encontrada em restaurantes locais de Guarapuava, ou então na fábrica da cervejaria, situada no Jordão. Já o queijo colonial pode ser adquirido pelo whatsapp (42) 8442-7153.

               Confira no link abaixo a reportagem com os dois produtores premiados:

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